Buscar
  • Assessoria de Comunicação - Conteúdo FERGS

Fergs, um século de luz


Os recortes da trajetória ímpar da federativa gaúcha


A história da Federação Espírita do Rio Grande do Sul se inicia muito antes de fevereiro de 1921. Mesmo que não seja possível datar com exatidão a chegada do Espiritismo ao solo gaúcho pela primeira vez, as fundações das primeiras instituições espíritas do Estado a partir de 1887 desempenharam papel fundamental nessa construção.


A primeira sociedade espírita a ser fundada, que temos acesso à ata de fundação, é a Sociedade Spirita Rio-Grandense em 1887, na cidade do Rio Grande. Depois ocorre, em 1894 a fundação, em Porto Alegre, do Grupo Espírita Allan Kardec, em funcionamento até hoje. A primeira sociedade fundada no estado irá se unir a outras duas da mesma cidade - Sociedade Espírita Allan Kardec fundada em 1898 e Sociedade Espírita Bezerra de Menezes de 1901 – dando origem à Sociedade Espírita Kardecista em 1903, em funcionamento até nossos dias.

Em paralelo, nos anos seguintes, surgem em Porto Alegre e em outras regiões do Estado outros tantos grupos. Foi então percebida a necessidade de uma direção para o mesmo ideal.

Muitos são os nomes que fizeram parte de uma rede de apoio grandiosa nessa história. Para o nascimento da Fergs em 1921, destaca-se um grupo de espíritas, tendo à frente Angel Aguarod Torrero, Frederico Augusto Gomes da Silva, Ildefonso da Silva Dias, Vital Lanza, Mário Mattos Santos, Félix de Abreu e Silva e Ernesto Müzzel.

Alguns outros companheiros e mais 20 instituições, além de dois órgãos de imprensa espírita, reunidos na sede da Sociedade Espírita Allan Kardec de Porto Alegre tomam a histórica decisão de fundar uma entidade federativa em consonância com a Federação Espírita Brasileira.

Nasce então uma instituição espírita, amparada pelos pilares científico, filosófico, religioso, educacional, cultural e de ação social sem fins lucrativos. Naquele ano inicia-se a missão da Fergs para a unificação, orientação e coordenação do Movimento Espírita do Estado.

O protagonismo na Unificação


Cem anos após a união e trabalho incansável de incontáveis pessoas dedicadas, a Fergs representa mais de 400 centros espíritas pelo Estado. Além disso, é um dos muitos pilares da Federação Espírita Brasileira, que integra o Conselho Espírita Internacional.


Para Maria Elisabeth Barbieri, Vice-presidente da Área de Unificação da Fergs, a necessidade do trabalho em rede surge desde os primórdios da federação. Ela conta que, diferente de outras federativas que surgiram de grandes centros espíritas e que então se transformavam em Federação, a Fergs parte da reunião de vários centros que sentiram esse desejo de ter uma comissão central, de trabalho e de coordenação, uma rede de apoio às suas federadas.


Segundo ela, vamos encontrar um marco da Fergs no papel da unificação em 1934, com a criação da Revista A Reencarnação, mais um elemento unificador. A partir da publicação, o Estado tomava conhecimento de todos os acontecimentos no movimento.

Logo adiante, na década de 1940, Beth lembra de mais algumas ações unificadoras: palestras públicas doutrinárias realizadas por trabalhadores valorosos que se deslocavam pelo estado para espalhar a ideia do espiritismo e atrair pessoas para o processo de unificação.


A vice-presidente de Unificação também destaca que em 1948, a Fergs obteve um grande impulso como protagonista do 1º Congresso de Unificação no Brasil. A tese da federativa gaúcha foi acolhida por consenso, e na ocasião apresentava proposta de fundação de um Conselho Federativo Nacional, onde todos os estados pudessem ter o seu assento.


Além disso, outro momento marcante na história unificadora da Fergs é a sua presença na assinatura do Pacto Áureo em 1949. O acordo celebrado entre a Federação Espírita Brasileira e representantes de várias Federações e Uniões de âmbito estadual, visava unificar o movimento espírita nacionalmente.


Para Beth, mais um grande marco de unificação ocorre em 1950 com a Caravana da Fraternidade. Nessa história contamos com o gaúcho Francisco Spinelli e com mais outros companheiros que partiram de São Paulo até Belém do Pará, realizando paradas em diversas capitais, principalmente do Nordeste, fundando, inclusive, a Federação Espírita do Piauí.


Para além dos destaques, ainda poderíamos citar tantos outros nessa trajetória. A Federação Espírita do RS segue a priorizar o trabalho unificador até os dias atuais. Beth acredita que o gaúcho carrega os genes de peregrinação pelo Estado e pelo Brasil. “Somos unificadores por natureza, nós gostamos de trabalhar juntos, de auxiliar os companheiros. Unificação para nós é princípio, não um procedimento”, destaca.


As Relações Institucionais


Ser peça atuante e ativa na comunidade também é um dos grandes trabalhos da Federação. São mais de dez conselhos, grupos e fóruns os quais a Federação Espírita do Rio Grande do Sul participa. Entre eles:

  • CMDCA - Conselho Municipal dos Direitos Criança e do Adolescente de Porto Alegre

  • COMAD - Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas de Porto Alegre

  • COMDEPA - Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre

  • COMJUS - Conselho Municipal de Justiça e Segurança de Porto Alegre

  • COMUI - Conselho Municipal do Idoso de Porto Alegre

  • FMUI - Fórum Municipal do Idoso de Porto Alegre

  • CORAS - Comissão Regional de Assistência Social

  • CMAS - Conselho Municipal de Assistência Social

  • CEDICA - Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente

  • FMDCA - Fórum Municipal da Criança e do Adolescente

  • FEDCA - Fórum Estadual da Criança e do Adolescente

  • DIRPOA – Grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre

  • CONEER – Conselho Estadual de Ensino Religioso


Para Lea Bos, Vice-presidente de Relações Institucionais da Fergs, o Legado da Federação é grande, pois sempre se caracterizou por ser uma instituição à frente do seu tempo, participando, por exemplo, da organização da 1ª Feira do Livro de Porto Alegre, bem como registros de participação em eventos inter-religiosos e comunitários de papel social relevante.


Segundo a Vice-presidente, a Fergs é feita de cada espírita do Estado, independentemente de filiação de sua instituição, porque os laços espirituais e a higidez dos princípios que a norteiam, mantém o elo entre todos e proporciona o êxito de suas iniciativas e trabalhos.


“Da experiência do trabalho em sociedade, observamos que sempre que agimos de acordo com a missão, visão e valores da Fergs e a moral cristã, como representantes, recolhemos a anuência e a acolhimento dos demais partícipes que têm na nossa representação uma referência de bom senso e equilíbrio, graças à inspiração dos benfeitores e ensinamentos cristãos”, esclarece Lea.


Um século de luz e muitas memórias


Para Maria Elisabeth Barbieri, Vice-presidente de Unificação da Fergs, o momento mais marcante do qual participou foi a inauguração da nova sede, em novembro de 2015.


“Não pelo aspecto material, mas pelo aspecto espiritual que sentimos em uma operação que era extremamente complexa e que nós trabalhamos nela incessantemente durante 3 anos. No momento da inauguração, quando descerraram a placa, eu pensei “estamos dando um passo para mais 100 anos, tudo o que está aqui começou com os recursos deixados por aqueles seareiros que inauguraram a primeira sede em 1952. Aqui está o trabalho deles. Foi o momento do século para mim, ali deu mostra da pujança do movimento espírita quando sabemos tocar as fibras certas no coração das pessoas”, relembrou.


Entre uma das muitas ações do centenário, está no ar o Memorial Francisco Spinelli, um espaço virtual construído para preservar, conservar e fomentar a memória histórica da Federação.


É um trabalho elaborado e desenvolvido pela equipe da Área da Gestão e Preservação da Memória, a partir da consulta e organização de arquivos digitalizados da Revista A Reencarnação, do jornal Diálogo Espírita, fotos e demais documentos do Acervo da Fergs.


O Congresso do Centenário


O 11º Congresso Espírita do Rio Grande do Sul representa mais um marco no centenário da federativa gaúcha. Neste ano, em razão da pandemia de Covid-19, realiza-se pela primeira vez de forma totalmente online, ampliando seu alcance através de inscrições gratuitas e modalidades de inscrições com contribuições espontâneas.

O tema União e Fraternidade: A Nova Ordem Social convida não somente a comunidade espírita, mas também simpatizantes e adeptos de outras religiões a acompanharem debates sobre tolerância, empatia, solidariedade, e outros tantos valores imprescindíveis para curar a polarização das relações.

Para Beth Barbieri, o congresso do centenário significa mais uma chance de aprendizado. “Para mim esse congresso é superação, aprendizado e expectativa. Vai certamente nos trazer muitas lições. A nossa Fergs nessa última década andou séculos. Espero que no final de tudo isso, este evento traga muita alegria para os corações”, destaca.


Lea Bos acredita que o 11º Congresso representa neste momento, assim como o centenário, o fechamento de um ciclo e o início de outro, pois chegamos ao quarto período de propagação do Espiritismo, assim como Kardec preconizou. “Somos uma instituição forte, organizada, com um corpo de voluntários envolvidos e comprometidos”, destaca.


Para ela, a Área de Relações Institucionais está contemplada pela temática do Congresso, pois trata-se da própria fundamentação da existência desta área, que visa organizar e promover a participação do espírita na sociedade, ocupando espaços não em nome próprio individual e sim levando os princípios cristãos para a vivência em comunidade.


“O Congresso vai retratar de uma forma sublime todo esse foco que temos para ampliar o alcance do Evangelho, além das fronteiras e para vencer as barreiras dos corações endurecidos”, adianta Lea.


O que: 11° Congresso Espírita do RS

Quando: 8, 9 e 10 de outubro de 2021

Onde: evento online na FergsTV (no YouTube), e nas demais redes sociais da Fergs

Inscrições: Inscrições gratuitas e modalidades de inscrições com contribuições espontâneas.

Quem pode participar: trabalhadores e estudantes espíritas de todas as localidades, simpatizantes, curiosos, adeptos de outras religiões, bebês, crianças, jovens e adultos.


117 visualizações0 comentário