Lar evangelizado, sociedade pacificada

O segundo painel da tarde de hoje foi realizado por Álvaro Chrispino, que falou sobre Lar evangelizado - Sociedade Pacificada. O painelista também participa do livro Educação com Jesus: a conquista do Reino de Deus, que reúne textos de diversos autores sobre os temas estudados no Congresso. Chrispino contribui com o artigo O lar evangelizado contribui para a sociedade pacificada.


Em sua exposição, Chrispino propõe discutir as relações possíveis entre o lar e a sociedade e tentar encontrar alternativas e propostas que ajudem a trabalhar a família para influenciar a sociedade, sem esquecer que esta influência é recíproca. Para isto, dividiu a sua fala em três partes: a análise da ciência, principalmente sociologia da família; a abordagem de obras espíritas sobre o tema; e, por fim, as alternativas de como a família pode pacificar-se ou evangelizar-se a fim de levar a paz a sociedade.


Estudando Joanna de Ângelis, Chrispino destaca que "o resgate da identidade como filhos de Deus nos faz sentir um estado especial de satisfação". E acrescenta que quando isso acontece lembramos que o outro, nosso próximo, também é filho de Deus como nós.

"Quando falamos de família precisamos ter claro que não podemos estar cristalizados", alerta Chrispino ao introduzir suas considerações sobre os modelos de família. A sociologia da família reconhece que há diferença na constituição das famílias conforme a época. “Os conjuntos sociais são diferentes e ficar buscando no passado as métricas que nossos pais ou avós se utilizavam é um convite à frustração”, ressalta. Ao longo da história, passamos por diferentes modelos de família. Herdamos um modelos de família funcional, em que os membros trabalham para a instituição familiar. Nesse molde os indivíduos não tinham autonomia e agiam conforme o interesse da família. Esse modelo está tão arraigado que ainda repercute em nossos costumes na atualidade.

Ainda no campo da sociologia, o painelista expõe o entendimento da família como uma célula transformadora da sociedade, mas que também sofre influências. Logo, “vendar os olhos para os padrões de sociedade que temos hoje, não é um bom negócio; dizer que a sociedade não vai de alguma forma interferir nas nossas dinâmicas familiares, que nós estamos vacinados, também é colocar peneira frente ao sol. Então, isolar-se da sociedade tentando criar uma bolha para nossos filhos e nossos familiares é na verdade fazer com que eles não sejam preparados e eles não estejam instrumentalizados para enfrentar os desafios que o homem no mundo terá que enfrentar”, defende.


Este modelo familiar encontrou algumas rupturas, que são: substituição do casamento por interesse pelo casamento por amor, promovendo o aprendizado nas relações movidas pelos sentimentos; intimidade, que é uma conquista recente, já que no século 18 era comum os grupos familiares vivendo no mesmo cômodo; advento do amor paternal, que se contrapõe à ideia do pai utilizar-se dos filhos para benefício da família, priorizando a felicidade do indivíduo.


Outro modelo apresentado é o da família nuclear atual. Ela tem por características: ser singular; modelo relacional, trabalha para que seus membros sejam felizes; baseada na conjugalidade, que significa ser livre juntos; baseada nas individualidades, que não é individualismo egóico. São justamente essas ideias apresentadas pelos Espíritos para a Doutrina:


774. Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma Lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?

“Diverso do dos animais é o destino do homem. Por que, então, quererem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma Lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos.”

775. Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

“Uma recrudescência do egoísmo.”

(O Livro dos Espíritos. Allan Kardec. Questões 774 e 775)


Ou seja, quanto mais o indivíduo se desenvolver dentro da família maior será a evolução social. Por isso a importância de preparar os filhos para a sociedade. “Precisamos oferecer aos membros da família a sua caixinha de ferramentas para que eles possam chegar no mundo real e aplicar as ferramentas corretas”, salienta Chrispino. E provoca o questionamento: estamos preparando os membros de nossa família para o convívio em sociedade?


Adentrando nas considerações sobre como pensar propostas para a ação social da família sob a ótica espírita, Chrispino cita o que Alexander Bruce fala sobre os apóstolos: “Da época em que foram escolhidos, de fato, os doze entraram em um aprendizado regular para o grande ofício do apostolado, no curso do qual deviam aprender, na privacidade de uma comunhão íntima e diária com seu Mestre, o que deveriam ser, fazer, crer e ensinar como suas testemunhas e embaixadores”. Pensando no colégio apostólico como uma grande família, Chrispino propõe a aplicação do modelo de Bruce nas nossas família.


Com base nisso, a ação seria de ensino regular, ou seja, contínuo e constante em todos os momentos. Assim como devem ser pensados os membros da família como Jesus pensou nos apóstolos, em propagadores de seus valores. Esse aprendizado se dá na intimidade e aconchego domésticos. “Aprender a ser, fazer, crer e aprender a ensinar, porque eles formarão as suas famílias”, destaca. Da mesma forma, é preciso pensar que nossos filhos são testemunhas do nosso comportamento e serão embaixadores do que aprenderem no lar.

Como outra proposta de ação Chrispino cita o Evangelho. Podendo-se buscar o Sermão da Montanha, que, segundo ele, “sintetiza o Evangelho de Jesus como um ‘programa de governo’ ou um ‘plano diretor’ oferecido ao mundo”. Também é possível buscar em Mateus, 10, onde Jesus chama seus apóstolos para trabalharem em Seu nome. Ou em João 15 e 16 quando dá incumbências e as explica aos apóstolos. Contudo, essa riqueza de exemplos do Evangelho só é possível de ser reconhecida se dermos atenção profunda ao seu conteúdo.

Uma terceira proposta é usar as parábolas. São citadas oito, sugeridas também por Bruce: do semeador; do joio; da semente do grão de mostarda; do fermento escondido; do tesouro escondido no campo; da pérola preciosa; da rede lançada; e a da semente crescendo em segredo.


Finalizando suas considerações, Chrispino cita novamente Joanna de Ângelis, quando fala sobre o embate entre o tributo a César e o Reino dos Céus, resumindo que "nós não estamos aprendendo Jesus para conflitar com o mundo". E que devemos lembrar sempre que “somos homens do mundo, que participam do mundo, que interagimos com o mundo. Estamos dizendo que os influenciamos e somos influenciados”. Portanto, é no mundo que aplicamos o conhecimento do Evangelho de Jesus: “É ali que seremos o sal da Terra, é ali que seremos a luz do mundo, é no reino de César que colocaremos a candeia para brilhar”.

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