“Não dá mais tempo para darmos tempo a nós mesmos”

O Presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho Barreto Nery, proferiu a palestra de abertura do 10º Congresso Espírita do RS, com o tema homônimo “Educação com Jesus: A conquista do Reino de Deus”. Godinho iniciou sua fala parabenizando pelo tema, que é um convite à reflexão íntima de todos os participantes, através de um tema tão importante nesse momento de transição por que passamos:


“Jesus precisa ser cada vez mais conhecido e nós cada vez mais nos apagarmos, porque estamos vivendo a era do espírito e, com certeza, nessa era Jesus será reconhecido como guia, modelo da humanidade, a referência que necessitamos para o nosso progresso”.




Godinho chamou atenção ao modo de ensinar de Jesus, através de parábolas, e assim utilizou-se da Parábola do Semeador para guiar suas reflexões.


Eis que o semeador saiu a semear.

E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;

E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;

Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.

E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Mateus 13:3-9


Esta é uma das poucas parábolas que Jesus mesmo interpreta, em que apresenta a Sua missão na Terra. Ele explica aos discípulos que a semente é a palavra de Deus e o campo é o mundo e que o Filho do Homem veio trazer a palavra de Deus à humanidade. Assim, Jesus também apresenta a possibilidade de cada um plantar essa semente no mundo. Compara-nos, o Mestre, com a semente, cujas reações à palavra de Deus são diferentes. E relembrando os espinhos que sufocam a semente, podemos pensar nas intempéries e desafios da vida, que são caminho para nossa própria educação, mas muitas vezes não reconhecidos.



Jesus prometeu o consolador, que mais tarde reconheceríamos na Doutrina Espírita. Essa mudança é uma forma de destruição, que é necessária, por ser uma uma lei divina. Godinho alerta, porém, que o que parece destruição, não passa de transformação. “Quando a educação é com Jesus tudo muda, porque ela é transformadora”, afirma, “Ele veio até nós com a misericórdia do pai para nos educar”. Assim, reconhecendo a lei natural como única que vem de Deus, ela visa a nossa felicidade. E a infelicidade é fruto da contrariedade a essa Lei, causada pelas nossas imperfeições.


Quando Kardec pergunta sobre qual o melhor guia para nos aproximarmos da Lei Divina (questão 625), a resposta é clara: Jesus. O Evangelho de Jesus não é um livro comum, apresenta o caminho de amor e fidelidade a Deus trazida por Jesus: “Antes Dele (Jesus) falou-se em amor, praticou-se amor, mas não na excelsitude como ele praticou”. Jesus tendo trazido a doutrina esclarecedora, convoca à mudança de hábitos. Godinho lembra que a mudança está em toda a natureza, mas que toda a transformação é seguida de crise.


Esta transformação nos convida a deixar os homens velhos e nos tornar homens novos. Contudo, afirma, “o Pai não violenta consciências”. Associa a boa nova à água limpa, que faz o processo de turvar a água do vaso até que se torne límpida. Esse é o caminho de Deus, para que lentamente possamos deixar as sementes do Evangelho brotarem.


“Ao reencarnar assumimos responsabilidades”, lembra Godinho. Assim, a família é o primeiro laboratório da vida, por isso a importância de trazer Jesus aos nossos lares. O palestrante traz como exemplo, do livro Renúncia (Francisco Xavier pelo Espírito Emmanuel), Alcíone, que tinha sua vida pautada nos exemplos do Evangelho. Ele lembra a forma de estudo apresentada no livro, que estudava o Evangelho versículo a versículo, pois era necessário senti-lo. “De nada vale o conhecimento sem meditação, mas de nada vale também conhecer, meditar e limitar-se a isso. O importante é conhecer, meditar, retirar do cognitivo, trazer ao sentimento e a partir daí estar apto a vivenciar no dia a dia as lições imorredouras do Evangelho”. Se ouvirmos e não meditamos seremos como as sementes da beira da estrada, sem reconhecer o processo de autoeducação com Jesus. “A boa semente nos faz sair do processo de estagnação”, afirma. Jesus nos provoca a pensar na nossa própria existência e em seu propósito.


Godinho questiona: “O que está impedindo meu progresso? O que me faz estar estacionado?”. A resposta tem o orgulho, a vaidade, o egoísmo como fonte. Jesus nos toca para que nos transformemos. Essa mudança consiste em alcançar o amor e a humildade. Lembra, enquanto exemplos, figuras como Chico Xavier, Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá, que tiveram esses sentimentos como guias de transformação.


“Não dá mais tempo para darmos tempo a nós mesmos”, afirma Godinho, “Temos que escolher o caminho”. E a educação libertadora só acontece quando é à luz do evangelho, pois “Jesus é o exemplo verdadeiro da lei divina, ele é a consciência perto de nós”, esclarece. Jesus não traz o que é Seu mas o que é de Deus e convoca os apóstolos a terem fidelidade ao Pai.


O presidente da Federação Espírita Brasileira, encerrou recapitulando os tipos de espíritas, interpretação fornecida pelo Evangelho Segundo o Espiritismo, a partir da Parábola do Semeador. São eles:

- os que querem apenas conhecer os fenômenos;

- o imperfeito, que vê o conhecimento e reconhece como o melhor mas se limita a isso

- o exaltado, que ouve, não medita, não tem discernimento e só porque ouviu passa à frente sem pensar se é verdade;

- por fim, o verdadeiro espírita, que compreende, conhece, estuda e aplica à sua vida.

Jesus sintetiza todo o ensinamento na máxima *amar ao próximo como a si mesmo". Godinho explica que, nesse contexto, próximos não são apenas os semelhantes, “próximo é tudo aquilo que está perto de nós”. Portanto, considerando tudo que nos rodeia como o próximo, é necessário refletir sobre a construção da paz. Segundo Godinho, “a terra é de paz, mas para que a paz se instale é preciso a boa vontade entre os homens.”

E dessa boa vontade faz parte a pergunta constante de reflexão antes de agir com o próximo: eu gostaria que me fizessem isso?


Finalizando suas reflexões, Godinho deixa- nos quatro pilares para a instalação do Reino de Deus em nossos corações: ter o evangelho como roteiro, a consciência tranquila como consolo, a ausência do mal como estratégia e a prece como fortaleza.


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