"O convite que foi feito a Saulo nos é feito diariamente pelo Cristo", afirma Rossandro

Rossandro Klinjey , psicólogo e trabalhador espírita, realizou o segundo painel da manhã de hoje, em conferência divertiu e agradou o público. Com histórias descontraídas, o conferencista abordou o tema Educação dos Sentimentos.


Para iniciar sua fala, Rossandro questiona sobre o que significa ser um trabalhador da última hora no momento em que vivemos. Ele lembra que o Evangelho é uma obra para ser refletida e não apenas lida. Em seu capítulo nove, Bem-aventurados os mansos e os pacíficos, no item Obediência e resignação, diz: "(...) cada época é marcada pelo cunho da virtude ou do vício que a devem salvar ou perder”. Segundo Rossandro, a isso equivale dizer que cada geração tem algo a conquistar no processo evolutivo e também algo que deve deixar. A virtude da nossa geração é a atividade intelectual, com grandes avanços tecnológicos. Contudo, temos a chaga da indiferença moral, de observar a dor e a angústia e calar. "Nós somos chamados a muito mais que a indignação. Somos chamados à ação”, reflete.


Comparando a saúde dos três últimos séculos, Rossandro destaca no século 21 a propagação de doenças emocionais, inclusive, citando o aumento do número de pensamentos suicidas entre jovens e crianças. Sobre a abordagem do espiritismo, explica que “a Doutrina Espírita nos chama atenção para enxergar os fenômenos da dor e da angústia como essenciais para o desenvolvimento”. Contudo, isso não significa que o espírita prega o sofrimento, mas, sim, que reconhece o sentido da dor como recurso didático de Deus, para quando não compreendemos o caminho pelo amor. Desta forma, um dos principais problemas na sociedade é o não reconhecimento do papel da dor, tentando fugir dela de todas as formas. É natural não querermos sentir dor, porém, são experiências necessárias, pois “quando nós perdemos a dor, perdemos a medida de saber o que nos fere e o que a dor tem a nos ensinar”, esclarece Rossandro.



Por isso, a educação emocional é tão relevante para o desenvolvimento. Rossandro apresenta quatro itens de um ser humano plenamente educado, construído na UNESCO por um conjunto de pedagogos e pesquisadores de diversas partes do planeta. São eles: capacidade de conhecer; aprender a fazer; aprender a ser pessoa; aprender a conviver com os demais. Estes últimos dois itens que são desenvolvidos para educação dos sentimentos. São também eles que estimulam nosso pensar e nos tiram de ações automatizadas do fazer.

Pensando nisso que urge a necessidade de pensar as doenças emocionais também de uma perspectiva espiritual. É preciso compreender o mundo, que já é doente, a partir da perspectiva do Evangelho do Cristo. Rossandro alerta que, como dizem os hindus, “não é saudável se sentir feliz num mundo doente”. Nesse contexto, é possível identificar sintomas do mundo atual. Dentre eles, está uma visão pessimista do mundo, alimentada por notícias que induzem a pensar que o estado do mundo é sempre caótico. Outro sintoma são os sentimentos de inequação e cobranças exageradas sobre si mesmo, que tem gerado uma indústria, em que há livros e profissionais que se aproveitam dessas dificuldades oferecendo soluções simples e sem embasamento. Esses sentimentos, contudo, são resultado de vidas acumulando dores, que precisam do Evangelho como fonte de transformação.



Para pensar os hábitos na educação dos sentimentos, Rossandro desafia a pensar quanto tempo dedicamos ao fútil em nosso cotidiano. E apresenta uma proposta simples: “dê a sua família 10% do tempo que você dá para o seu smartphone; dê a Deus na sua casa 10% do tempo que você dá para o seu smartphone. Pode ficar com os outros 80%, só esses 20% já farão enorme diferença”. Apresentar o Evangelho às crianças e aos jovens, através da Evangelização, será também um caminho para auxiliar seu futuro, compreendendo que as dificuldades não nos definem, são impulso para crescer. “Sucesso, numa encarnação, não é o que o palco do mundo diz, mas o que você consegue construir aos olhos de Deus”, destaca.


A exemplo desse sucesso, Rossandro cita Paulo, que fala sobre a importância de seu trabalho aos olhos de Deus e não do mundo. Assim, podemos ver a dor sob uma nova dimensão, uma oportunidade. Afinal, educar sentimentos “não se trata se reforma moral cosmética mas de reforma profunda de alma”, explica, refletindo sobre os pensamentos que temos sobre nós mesmos.


"O convite que foi feito a Saulo nos é feito diariamente pelo Cristo." Dizendo isso, Rossandro alerta para a proposta constante de transformação íntima. No projeto de Jesus, podemos reeducar nossos sentimentos. O projeto de Deus enxerga as nossas quedas, mas as tantas vezes que nos levantamos e tudo que ainda podemos ser. “Assim, esse Pai amoroso nos convida a nos conhecermos, a nos educarmos, para fazermos a grande regeneração”, explica. Nossos erros, falhas, vergonhas são recebidos com o abraço do Pai esperando por nós para um futuro de luz.

91 visualizações
REALIZAÇÃO:

© 2018 por Federação Espírita do Rio Grande do Sul

Área de Comunicação Social Espírita

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram